Do Luxo ao Lixo
jan 2011 28

A coleta de lixo e sua liberação em aterros sanitários sempre causou polêmica entre os cidadãos marilienses, a mídia e a política local. O assunto sempre foi tratado com cautela por parte de uns e fervorosamente por parte de outros. O fato é que o assunto ficou por muitos anos dando voltas e voltas, culminando num ponto crítico no início desse ano: o limite de depósito de lixo no aterro sanitário. Não há mais espaço para a grande quantia de lixo recolhida em uma cidade de mais de 220 mil habitantes e quem irá sofrer as consequências será a própria população, principalmente a mais carente.

Para tentar amenizar essa situação, a Prefeitura de Marília tentou, junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), realizar o depósito do lixo em uma nova área que também serviria como aterro sanitário. De imediato, a Cetesb vetou o uso dessa determinada área, garantindo apenas o uso para depósito durante um ou dois trimestres, pois seria inviável realocar para essa área o depósito contínuo do lixo devido ao impacto ambiental de alto risco. Então, ha um mês apenas de se alcançar o nível máximo permitido do depósito de lixo e sem uma alternativa vigente, a única opção é mais uma vez recorrer ao bolso do contribuinte.

Dessa vez, o governo municipal pretende investir no transporte do lixo local para aterros em outras cidades da região. Esse transporte irá demandar mais de meio milhão de reais mensalmente para realizar esse serviço básico de manutenção da qualidade de vida que é o recolhimento do lixo. Então, parafraseando o excelente Telecurso 2000, “vamos pensar um pouco”: a prefeitura está propondo um gasto mensal de quase meio milhão de reais em um serviço que há anos já vem sendo discutido sobre seu eventual colapso na relação demanda / espaço agregado para a coleta do lixo e que é obrigação garantida por lei do município. Tudo isso será apenas enquanto não houver uma licitação para um novo aterro, mas durante esse tempo, de onde sairá essa verba? Esses 500 mil mensais serão retirados de outros projetos ou aumentará a arrecadação do contribuinte, que está sendo lesado por um serviço gratuito e, friso novamente, garantido pela constituição de 1988?

Vemos então o desdobramento trágico de uma discussão de longa data que terá como consequência um prejuízo ao já fragmentado cidadão mariliense. Não importa qual seja a resolução para esse empasse ou de onde sairá a verba destinada ao transporte do lixo, a população será de alguma forma prejudicada. Não importa se faltou diálogo, planejamento, iniciativa municipal ou mesmo popular que gerasse uma resolução para esse problema. O fato é que apenas com esses quatro mecanismos fundamentais de políticas públicas pode-se evitar uma depreciação não somente do bolso do contribuinte, mas também da credibilidade do poder público.

Fausto Ancona

4 Comentários

  1. Sylvio Henrique disse:

    Não somente deixam de planejar, ou planejam de modo premeditadamente errado, como pouco se importam para os danos causados ao meio-ambiente. É mais um insulto à população mariliense!

  2. fernando disse:

    A prefeitura de marilia se mostra cada vez mais incapaz de resolver problemas básicos, como: distribuição de água, tratamento do esgoto, coleta e tratamento adquado do lixo, conservação das vias públicas, isso é uma vergonha para uma cidade do porte de Marilia.

  3. O absurdo maior em toda essa situação é o Prefeito Bulgareli e o Chefe de Gabinete e Secretário das Finanças Nelsinho ficarem dizendo que a cidade não tem dinheiro para nada. Portanto, cabe a pergunta: dinheiro para exportar o lixo tem? Da onde vai sair? Quem fará o serviço? Será que depois de 6 anos, a administração Bulgareli não foi capaz de planejar um novo aterro sanitário? O pior de tudo é que parece que esse abacaxi vai acabar mesmo nas mãos da população. Eu, você, nós todos vamos pagar … Paciência!

  4. Camilla disse:

    A pergunta que fica é exatamente esta: como será pago esse serviço? Retirar-se-á dinheiro de outros projetos ou se aumentarão os impostos? É bem como o autor coloca, quem sairá prejudicado será o cidadão mariliense, como sempre…

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