Como anda o nosso Legislativo?
jul 2014 09

No Brasil, a divisão dos poderes é feita entre o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, cada qual com sua respectiva função na organização da sociedade. De uma forma geral, o Poder Executivo é responsável pela administração, propriamente dita, do Estado, o Poder Judiciário pelo julgamento dos possíveis conflitos, pautando pela obrigatoriedade do cumprimento das leis e ao Poder Legislativo é designada a formulação, discussão e aprovação de leis. Essas devem (ou deveriam) vir de encontro ao interesse público, suprindo as demandas da sociedade.

Na administração municipal, são os vereadores os responsáveis pela atividade legislativa. Assim, são eles que formulam as leis que tratam de diversos assuntos, como impostos municipais, benefícios fiscais, disposições sobre diretrizes de crescimento urbano, discussão e aprovação do orçamento anual da cidade e a Lei de Diretrizes Orçamentárias, além da criação de cargos públicos e fixação dos respectivos vencimentos, bens do domínio do Município, regime jurídico dos agentes públicos municipais, entre outras temáticas. E, além dessa parte “mais burocrática”, pelo fato dos vereadores estarem mais próximos dos cidadãos, podem entender a respeito dos problemas estruturais e cotidianos da cidade e dispor sobre as soluções.

Para cumprir com todos esses deveres, os vereadores de Marília se reúnem todas as segundas-feiras na Câmara Municipal às 17h para discutir projetos de lei e requerimentos. Além disso, podem convocar autoridades para prestar informações, organizar Audiências Públicas e apreciar a aprovação de requerimentos de informações. A Câmara também pode recorrer às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar eventuais irregularidades efetuadas por agentes públicos no exercício de suas funções. Em suma, é essencial o comparecimento dos vereadores nas sessões da Câmara Municipal, porque cabe ao vereador estar informado sobre acontecimentos da cidade, acompanhando a situação das obras públicas efetuadas pela prefeitura e acompanhar a criação de comissões, para sanar os problemas dos cidadãos.

Devido a tamanha importância que os vereadores têm para o município, o Observatório da Gestão Pública traçou os perfis dos treze atuais vereadores da cidade, além daqueles que foram eleitos e, por algum motivo, abandonaram o cargo. É importante lembrar que é na Câmara  que o embate de ideias que vão conduzir a administração pública surgem, sendo assim, identificar a posição dos respectivos vereadores é de extrema relevância.  Confira:

LUIZ EDUARDO NARDI

Luiz Eduardo Nardi, ou Engenheiro Nardi, é filiado ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), atual presidente da Câmara e faz parte da comissão de apoio de Vinícius Camarinha. O vereador é defensor das ações da atual frente administrativa e já deu várias declarações em que parabeniza a seriedade e credibilidade, segundo ele, que este governo tem com a cidade. Também já desmentiu denúncias feitas na Câmara contra o prefeito e constantemente se compromete a falar pessoalmente com o prefeito Vinícius para resolver questões pendentes (a última delas foi sobre a reivindicação dos servidores públicos).

Seus financiadores de campanha (forma como os partidos políticos custeiam sua campanha eleitoral) são hoje: o chefe de gabinete da presidência da câmara Valdeir Macedo de Oliveira (com salário equivalente a R$ 1.694,23) que lhe doou R$1.500,00; seu assessor parlamentar Maurício José Guedes, com salário equivalente a R$ 1.448,79 que lhe doou também R$1.500,00 (sendo ambos nomeados pelo prefeito em 21 de março de 2013); a coordenadora de serviços diversos da secretaria municipal da saúde Maria Helena da Silva (com salário equivalente a R$ 3.000,84 e nomeada em 16 de janeiro de 2013) que lhe doou o mesmo valor de R$1.500,00 e um membro do conselho deliberativo do fundo social de solidariedade do município, Luíz Carlos Esteves (nomeado em 11 de junho de 2013) que contribuiu com uma doação de R$600,00. As informações foram encontradas no site do Tribunal Superior Eleitoral em que consta todo o histórico de financiamento de campanha dos candidatos do ano de 2012, e os dados pessoais e de nomeação retirados do Diário Oficial do Município de Marília (DOMM).

CÍCERO DO CEASA

Cícero Carlos da Silva, mais conhecido como Cícero do Ceasa, é Servidor Público Federal e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), é membro do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e presidente do Conselho de Assistência do Município. Seu trajeto de ações na câmara municipal dos vereadores vem sendo aparentemente em defesa da população contra abusos da administração. Cícero acredita que os munícipes devem forçar mudanças na Câmara Municipal de Marília e se diz em defesa das manifestações populares e protestos contra abusos e corrupção por todo o país. O vereador conta com um Gabinete Itinerante, composto por seus assessores, conhecidos e aliados políticos (PT), no bairro de Santa Antonieta que durante os finais de semana percorre os bairros da cidade para ouvir a população em seus pedidos, sugestões e reclamações, o que facilita a comunicação entre os cidadãos e o legislativo. O gabinete é composto por

Seu financiamento de campanha foi feito através de recursos próprios, recursos de seu partido político (PT) e do Comitê Financeiro Municipal Único.

Em dezembro do ano passado, Cícero se pronunciou sobre os anúncios de medidas emergenciais sobre o problema da falta de água no município e afirmou que é vergonhoso o fato de ter que distribuir água à população através de caminhões-pipa. Construiu uma crítica de que o Prefeito Vinícius Camarinha investiu um valor insignificante para que o problema da água fosse realmente sanado, dizendo ser mentira afirmar que, através dessa ação, a falta d’água seria resolvida. O histórico de críticas do vereador é longo e pode-se observar por meio desta, o caráter opositor relacionado aos atuais gestores municipais que se estende também aos mandatos anteriores desse mesmo grupo administrativo.

HERVAL ROSA SEABRA

Herval Rosa Seabra é advogado e cumpre o oitavo mandato de Vereador da Câmara Municipal de Marília tendo sido presidente da mesma por 5 deles. É filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), integrante do pelotão de frente de Vinícius Camarinha e também seguidor de Abelardo Camarinha por 30 anos. Não há como não perceber que Herval é aliado histórico de Vinícius Camarinha e sua frente administrativa, inclusive há recorrentes discussões que envolvem o vereador em defesa à críticas feitas à essa frente.

O vereador foi condenado no fim do ano passado, junto de Toshitomo Egashira (ex-presidente geral da câmara) por improbidade administrativa no caso do desvio de verba da Câmara Municipal de Marília. Na época em que o desvio ocorria, Herval exercia a função de Presidente da Câmara e é acusado de assinar os cheques emitidos por Toshitomo. Por insuficiência de provas, Herval foi absolvido na esfera criminal. Na área cível (improbidade administrativa) seu condenamento implicaria o ressarcimento de R$ 522.864,83, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por cinco anos, pagamento de multa civil de uma vez o valor do dano e está proibido de contratar com o poder público por cinco anos. Entretanto, Herval recorreu dessa decisão no Tribunal de Justiça e o processo ainda não foi julgado em última instância. Há também a acusação de crime de peculato relacionado a Herval, esse crime consiste em apropriação ou desvio do dinheiro público pelo funcionário público em proveito próprio.

No mesmo período, Abelardo Camarinha foi condenado por contratação de parentes para a prestação de serviços públicos (seu filho Vinícius). Herval, ainda, recebeu doações no valor de R$2.000,00 para campanha de 2012 vindas do atual Assessor Jurídico do Gabinete (Cargos de confiança do Prefeito) José de Souza Júnior, nomeado em 01 de fevereiro de 2013 (segundo o Diário Oficial do dia 02/02/2013) com um salário de R$ 3.000,84.

JOSÉ BASSIGA

O vereador José Bassiga da Cruz, foi eleito com 1.014 votos e é do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), militou na Associação de moradores nas proximidades do Jd. Nacional. Entre os que financiaram a campanha eleitoral de Bassiga, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, está o empresário JOSE GERALDO GARLA que já foi vice-presidente da Marilan e presidente da Adima (Associação das Indústrias de Alimento de Marília), sua doação foi de R$ 7.200,00. Cabe ressaltar que fazer doações de campanha, desde que declaradas, não são enquadram como ato ilegal e não impedem os doadores de fazerem críticas, por exemplo, ao desempenho dos vereadores.

Bassiga faz algumas pontuações mais criticas sobre a situação do Município de Marília como, por exemplo, sobre a situação do asfalto na cidade de Marília, o vereador disse, na sessão de 14/02/2013, que “Daqui a pouco teremos mais buracos do que asfalto em Marília”. Solicitou, ainda no mês de fevereiro, o auxílio imediato do município às famílias carentes que perderam bens devido as fortes chuvas.

O vereador foi autor do Projeto de Resolução nº 06/2013, que reduziu para três o número de Requerimentos que podem ser apresentados por cada Vereador nas sessões. Bassiga se encontra em uma relação de “amor e ódio” com o Prefeito, congratulou Vinícius por ter atendido a um requerimento que pedia a prorrogação de todos os concursos públicos em vigência e também acredita na “dívida herdada” de Marília. Disse na sessão de 12/08/2013 que “é importante debater para melhor discutir o orçamento do ano que vem, lembrando que faltam muitas vagas nas creches, mas acredita que a atual administração logo sanará o problema”.

Ainda assim, Bassiga protestou contra a falta de disponibilidade do prefeito Vinícius Camarinha para discutir questões emergenciais da cidade como: poliesportivos, teatro, entre outras. Disse que é preciso “calçar as sandálias da humildade”, pois o município não ficará neste estado financeiro precário para sempre. Concluindo, o vereador disse que quando ele faz um requerimento/ou solicitação e seu pedido é negado “não é a ele que negam algo e sim a população”.

JOSÉ EXPEDITO CAPACETE

O vereador José Expedito Capacete, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi eleito com 2.151 votos. Ocupou a vaga na Câmara Municipal de Marília do, falecido, vereador Sydney Gobetti de Souza em 2012. O vereador está entre aqueles que, sempre, durante o tempo que tem disponível o utiliza para congratular as ações da Prefeitura como, por exemplo, dizer que o prefeito está se engajando bem com o município. São coisas que não passam de obrigação, não há sentido em levantar falas dessa natureza, porque a experiência, geralmente, demonstra que quem muito fala, nada faz efetivamente.

Entre outras coisas Capacete comentou, durante a sessão Camarária de 25/02/2013, a visita do Secretário de Esportes do Estado de São Paulo à Marília, José Auricchio Júnior. Capacete disse que a vinda do secretário foi muito proveitosa e que José elogiou o ginásio de esportes do município. Além disso, relatou na sessão de 04/03/2013 sobre o Instituto Federal que virá em breve para o Distrito de Lácio.

JOSÉ MENEZES

O vereador José Ferreira de Menezes eleito com 2.192 votos, do Partido Social Liberal (PSL), foi denunciado, no começo de 2013, por ter assinado plantas de imóveis sem ter registro profissional verdadeiro de engenheiro civil.  Menezes foi julgado pelo exercício irregular de profissão, falsidade ideológica e uso de documento falso, totalizando 293 crimes. A denúncia feita pelo Ministério Público (MP) levou a instauração de uma ação penal e o vereador foi notificado pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) para multa de quase R$ 384 mil reais. Haja vista que, como divulgado pelo MP, o diploma do vereador era falso.

Além disso, quando tal matéria foi levada para discussão na Câmara a apreciação foi mínima e não houve o estabelecimento de uma CPI, porque a maioria dos vereadores rejeitaram após votação na sessão camarária de 30/09/2013 . O apoio dos demais vereadores a José Menezes é claro e o porquê dos vereadores optarem pela não instauração da CPI não é compreensível, pois se o vereador , realmente, não fez nada de errado, não teria nada a temer da instauração da comissão parlamentar de inquérito.

Cabe relembrar, também, que o vereador também é acusado por ter, durante sua campanha, comprado votos. Devido ao fato de ter presenteado um pastor evangélico, de acordo com o Diário Oficial da União de 05 de março de 2013, com um automóvel e esse teria promovido a candidatura de Menezes em seus cultos religiosos. As plantas assinadas em 2012, também, se enquadram como troca de favores e, portanto, compra de votos.

No financiamento da Campanha de Menezes está a empresa Pacaembu Empreendimentos e Construções LTDA que doou ao vereador R$80.000,00. Essa empresa que financiou o vereador, nas cidades de Araraquara e Taquaritinga, teve obras do Programa Minha Casa, Minha Vida foram encontradas irregularidades nas condições de trabalho. Durante a votação dos projetos mais polêmicos, o vereador claramente se posicionou de acordo com os interesses da situação. Sendo favorável, por exemplo, ao projeto que institui a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública; ao projeto da propaganda publicitária que cerceou direitos de expressão; ao código de ética do servidor público que fere o direito de fazer greve; entre outros projetos de alta relevância.

Recentemente, Menezes foi enfim condenado por tais crimes. O vereador pegou dois anos e dois meses de detenção em regime aberto, punição substituída por pena restritiva de direito, tendo os direitos políticos cassados e foi também condenado a pagar multa ao Tesouro Nacional. Seu 1º suplemente, o ex-vereador José Carlos Albuquerque, deve ocupar o seu cargo a qualquer momento.

MARCOS REZENDE

Prometendo “total independência” e lutar com suas “próprias convicções”, o vereador Marcos Rezende, do Partido Social Democrático (PSD), foi empossado na última sessão ordinária da Câmara de 2013 em consequência à renúncia de Choquito (como veremos mais abaixo). Em suas promessas eleitorais, afirmou compromisso com a questão da falta de água na cidade, a educação e, sobretudo, com a saúde, a qual apresentaria um projeto “revolucionário” para a cidade – o que estamos no aguardo.

        O mais curioso de Rezende é o fato de sempre fazer questão de aludir ao deputado federal Walter Ihoshi, também do PSD, tanto em seus discursos, como em outras ocasiões (como a própria descrição do vereador no site da Câmara). Com as eleições para deputado federal bem próximas, é necessário mostrar a contradição em sua fala que, ao mesmo tempo em que promete ser “neutro” quanto posições partidárias, faz um verdadeiro “jogo político” em apoio ao colega.

        Intitulando-se defensor da transparência e combate à corrupção, Rezende adiou a votação do projeto de emenda à Lei Orgânica que muda de votação secreta para votação aberta em casos de perda de mandato de vereador. Ele alegou que não conhecia o projeto, mesmo este sendo pauta há mais de doze anos, proposto pelo vereador Coraíni que tenta aprová-lo sem êxito. Após a revisão, no entanto, Rezende votou favorável ao projeto.

        Agora, Rezende encabeça a revogação do Decreto nº 11.200/14, que reajustou o valor da passagem dos ônibus urbanos de R$ 2,15 para R$ 2,50. Segundo ele, o reajuste aconteceu em menos de um ano e não condiz com a reposição inflacionária do período. Resta esperar o desenrolar dessa história. Enquanto isso, a credibilidade do vereador ainda fica em cheque.

MARCOS CUSTÓDIO

O vereador é filiado ao Partido Social Cristão (PSC) e seu financiamento eleitoral foi composto por doações do Comitê Financeiro Municipal Único (R$ 6.746,90), recursos próprios (R$ 2.637,00) e também recursos de pessoas físicas (R$ 9.640,00), segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral. Custódio está sempre exercendo seu poder na forma de requerimentos e pedidos à prefeitura como o reparo de semáforos, recapeamento asfáltico, instalação e reparo de iluminação nas ruas, construção de rotatórias etc.

Quando foi nomeado, no dia 7 de fevereiro de 2011, em decorrência da cassação e renúncia do ex-vereador Amadeu de Brito, houve uma disputa na Câmara Municipal para decidir em que posição sua cadeira se encontraria (na bancada de apoio ao Prefeito, ou na da oposição). No início de seu mandato anterior, se encontrava entre as duas frentes, sendo parcial, mas depois começou a votar junto à oposição. Custódio já deixou revelar em uma das sessões, através de seus requerimentos, que a prefeitura possui um dispêndio de valor exacerbado (R$ 4.152.000,00) em aluguéis, numa época em que era reafirmado a todo tempo a situação de dificuldade financeira municipal.

MÁRIO CORAÍNI

O vereador Mário Coraíni Júnior foi reeleito com 1.891 votos, é do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e está em seu segundo mandato seguido na Câmara Municipal, sendo que já foi vereador entre 2001 – 2004 e, também, 2005 – 2008. O financiamento eleitoral de 2012, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, foi, no geral, por recursos próprios do vereador, o qual  utilizou R$ 90.085,08. O vereador é um dos mais ativos em relação à proposição de medidas para deixar as políticas públicas mais transparentes. Durante o seu mandato de 2009-2012 colocou em pauta o Projeto de Lei nº 144/2009, dispondo sobre “a publicação de informações sobre funcionários, empregados e servidores, vinculados ao poder Público Municipal, no endereço eletrônico do órgão em que se encontram em exercício”. Mas esse projeto não passou e na época, dentre os vereadores atuais, Herval Rosa foi contrário, Custódio e Damasceno foram a favor do projeto. Posteriormente, Coraíni apresentou o Projeto de Lei nº 32/2013, “dispondo sobre a publicação de informações sobre funcionários, empregados e servidores, vinculados ao poder Público Municipal, no endereço eletrônico do órgão em que se encontram em exercício”, sendo esse aprovado.

Além das suas críticas aos “funcionários fantasmas” e aos cargos comissionados em excesso, Mário Coraíni é o autor do Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 03/2013, recentemente aprovado, que dispõe sobre a votação aberta sobre a perda do mandato de Vereador, destituição de membro da Mesa e votação de veto. Pode-se notar que Coraíni, ao contrário da maioria, sempre exalta como é essencial que o processo político municipal seja fundado de maneira clara.

SAMUEL DA FARMÁCIA

O vereador, do Partido da República (PR), foi eleito com 2.135 votos. O financiamento de sua campanha foi, basicamente, feito por recursos próprios e de outras pessoas físicas. Logo ao assumir o cargo, em 2013, se envolveu em sua única polêmica  até hoje. Segundo o Hora H, durante o período eleitoral, foi acusado de abuso de poder econômico e compra de voto, mas, meses depois, foi absolvido.

O irmão do também vereador de Marília, José Menezes, passou o resto do tempo “desapercebido”, sendo um dos vereadores mais apáticos da atual gestão. No ano passado, encaminhou à mesa apenas três projetos de Lei e evitou qualquer tipo de declaração polêmica ou atitude suspeita, tendo uma posição relativamente neutra.

Entretanto, sem demais pronunciamentos, votou à favor de todos os projetos polêmicos sugeridos que não viessem de encontro ao interesse público, como a instauração da CIP (Contribuição para o  Custeio do Serviço de Iluminação Pública) e a perda do poder deliberativo do Conselho de Habitação.

SÔNIA TONIN

Tonin, do Partido Social Cristão (PSC), é a única representante feminina no time. Por esse motivo, deveria ser a principal força dos interesses das mulheres na cidade e também um dos principais nomes para a educação, já que se formou em pedagogia e é diretora da EMEI Pingo de Gente. Além de tudo, já teve experiência na vereança durante o período de 2005 a 2008.

Assim, ela era uma grande promessa para os olhos de alguns, principalmente para os seus .1410 eleitores. Mas Sônia decepcionou. No ano passado, a vereadora não apresentou nenhum projeto de lei para a educação. Pouco fez também pelas mulheres. A maioria de seus discursos vem de encontro a “amaciar” às duras (e justas) críticas feitas ao prefeito Vinícius Camarinha, demonstrando ser uma grande aliada.

Assim como Samuel da Farmácia, votou à favor de todas os projetos polêmicos, aqueles que não vinham de encontro aos interesses da população, como, por exemplo, a Lei da Mordaça. Além disso, foi uma das principais defensoras da concessão do DAEM, justificando ser uma boa alternativa para solucionar o problema da falta de água na cidade, mesmo depois de grandes investimentos realizados na autarquia.

SÍLVIO HARADA

Sílvio Harada é do Partido da República (PR), possui ensino superior completo graduado em Agronomia e foi eleito com 1.874 votos. Em sua campanha o vereador recebeu doação de R$1000,00, informação retirada do site do Tribunal Superior Eleitoral, de MIRIAM AKEMI SHIMAMOTO. Por uma “grande coincidência”, no Diário Oficial de 10 de janeiro de 2013, a mesma foi nomeada a exercer, em Comissão, o cargo de assessora parlamentar de vereador, recebendo sobre a referencia salarial C-4A, a qual equivale a R$ 1448,79.

O vereador posiciona-se, desde a sua campanha eleitoral, ao lado dos produtores rurais. Sempre que possível Harada indica que são necessárias melhorias em diversas estradas da cidade e de seu entorno, haja vista que tais vias são essenciais ao escoamento da produção agrícola. Além disso, o vereador considera de grande importância a Associação dos Produtores Rurais.

Na atividade camarária do dia 24/06/2013 o vereador, junto à Sonia Tônin e José Menezes, foi integrante da comissão que atendeu os funcionários públicos municipais presentes, os funcionários estavam protestando contra projetos que reduziriam bônus/FGTS e outros benefícios. O vereador em seus tempos de fala durante as sessões se mostra inclinado aos interesses da gestão do Prefeito Vinícius Camarinha.

WILSON DAMASCENO

Por fim, o Delegado Wilson Damasceno, do Partido da Social Democracia Brasileira  (PSDB), está em sua segunda vereança com 3.365 votos. Eleito em 2008 e em 2012, o vereador é um dos principais fundamentadores da oposição atual e é dele que vem muitas críticas ao prefeito.

Coincidentemente e diferente da grande maioria, foi contra todos os projetos que prejudicassem a população, junto com Coraíni e Cícero do Ceasa, como, por exemplo, o reajuste do IPTU, que em 2014 chegou a Marília com valores exorbitantes.

        Além disso, apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal para punir o prefeito em caso de não pagamento aos servidores públicos municipais do gatilho (reposição anual referente às perdas com a inflação), fato este que ocorreu ano passado e pode ocorrer neste, também.

JOÃO PAULO SALLES (CHOQUITO)

João Paulo Salles, mais conhecido como Choquito, foi eleito com 1.407 votos e é do Partido Social Democrático (PSD), renunciou o seu mandato em quatro de dezembro, após ter sido indiciado por pedofilia, porque iria ser instaurada a CPI por quebra de decoro que cassaria seus direitos políticos. O vereador trabalhava como animador de festa infantil antes da sua candidatura. Quem ocupou sua cadeira foi o suplente Marcos Rezende. Durante o ano que passou na Casa de Leis o vereador posicionou-se a favor de projetos de Lei retrógrados como, por exemplo, o projeto nº 41/2013 que trata de propaganda publicitária e o Projeto de Lei Complementar nº09/2013, da Prefeitura Municipal, instituindo o Código de Ética e Disciplina do Servidor Público Municipal da Administração Direta e Indireta do Município de Marília, que entre suas proposições consta punição para os funcionários públicos que vierem a “incitar greve”.

O vereador Choquito, durante o pouco tempo em que esteve na Câmara, geralmente, durante a votação de projetos não demonstrava ter uma opinião forte, apenas fazia uma mera repetição da fala dos demais vereadores.

YOSHIO TAKAOKA

O vereador Yoshio Sergio Takaoka, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi reeleito com 2.512 votos, porém não permaneceu nem dois meses na Câmara Municipal de Marília: teve seu mandato cassado pelo Juiz Silas Silva Santos por compra de votos.

A cassação não fez com que o vereador perdesse os direitos políticos, nem anulou os votos da coligação. Deste modo, o Takaoka poderá disputar as eleições desse ano, 2014, e o suplente da coligação que assumiu foi Herval Rosa Seabra. De acordo com uma matéria do Correio Mariliense, Takaoka contratou cabos eleitorais pouco antes das eleições e os pagou com R$100,00, entretanto a finalidade da contratação era apenas obter o voto dessas pessoas.

Sendo assim, traçados todos os perfis individualmente, torna-se mais fácil analisar a linha de ação de cada um de nossos vereadores e como estão trabalhando em seus respectivos deveres e projetos. Como visto, infelizmente nem todos levam o cargo a sério nem tampouco tem os mesmos interesses que a população Mariliense: para esses, resta-nos um olhar mais cuidadoso e uma postura de cobrança mais rígida, para que sejamos, de maneira satisfatória, ser atendidos por aqueles que deveriam representar nossos direitos.

***

Em menos de dois anos, o Legislativo municipal já sofreu duas mudanças em seu corpo – e está prestes a mudar a terceira. Entretanto, mesmo com todas essas alterações, nada mudou efetivamente.

Os perfis de todos os nossos vereadores está escancarado e, com eles, os frutos de nossos próprios votos. O que resta para nós, cidadãos marilienses, é fazer uma reflexão sobre a escolha desses votos e, nas próximas eleições, decidir se esses indivíduos merecem o nosso voto de confiança para a “Marília que a gente quer ver”.

Amanda Bonome, Ana Beatriz Pelicioni, Juliana Piassa, Laura Torres e Thiago Ribeiro 

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