Já combateu a dengue hoje?
fev 2015 16

O ano de 2015 começou um tanto crítico na questão da saúde no município de Marília. A situação em voga é a imensa propagação da Dengue, uma doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. A atual epidemia em Marília foi comentada em jornais da grande mídia e vem causando um certo desconforto tanto pela falta de atenção da população como pela negligência da administração municipal.

Foram mais de 600 casos somente nas duas primeiras semanas deste ano, o número superou qualquer proliferação anterior da dengue, podendo se constituir como o pior surto da história, previsão feita pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A epidemia se iniciou aproximadamente na segunda semana do mês de janeiro. Dentre os sintomas da dengue, conta-se com: febre alta, fortes dores de cabeça, extremo cansaço, náuseas e vômitos, tonturas e dores atrás dos olhos. Apesar dos habitantes terem sido orientados para que, ao perceberem os sintomas de doença, procurassem um médico e evitassem a automedicação, não havia até então qualquer atendimento especial com reconhecimento eficaz da doença ou alguma campanha que frisasse a importância da prevenção e combate da mesma.

Assim, até o dia 12 de fevereiro haviam sido registrados 1.827 casos autóctones (contraídos dentro do próprio município) nesta cidade de aproximadamente 228 mil habitantes. Enquanto isso, Bauru com cerca de 365 mil habitantes, divulgou boletim ao HORA H (link) a informação de que havia confirmado 41 casos autóctones da doença até então. A causa de tamanha proporção é desconhecida, mas o descuido da população teve sua parcela de contribuição, pois, segundo o coordenador do CCZ, 50% das casas visitadas pelos agentes contavam com a proliferação de larvas. Apesar disso, a erradicação da doença e a reprodução da situação de emergência da cidade é responsabilidade da administração municipal e a prevenção é papel do governo e da população, trabalhando juntos.

Logo, muitos casos alarmantes da doença foram divulgados. Em um deles uma idosa com suspeita de dengue faleceu na calçada a 50 metros de sua casa após aguardar mais de três horas por atendimento médico. Casos de reclamações sobre terrenos baldios e locais públicos com acúmulo de água e lixo (grandes focos de proliferação) também foram registrados e contam com abaixo-assinados. Os bairros Alto Cafezal, Jardim Marília, Vila Barros e Argolo Ferrão foram os locais com maior incidência da doença.

No dia 09 de fevereiro, após um mês desesperador, foi finalmente inaugurada uma unidade de apoio exclusiva com a finalidade de tratar os casos de dengue e de desafogar as unidades de saúde e pronto-atendimentos (a unidade de apoio está localizada anexa à UBS Cascata, na rua 9 de Julho). Segundo o Diário de Marília, o local possui equipamentos para que a administração de soro seja realizada em até 100 pessoas (em cadeiras) e conta com dez macas para pacientes com sintomas mais graves. Caso haja necessidade de internações de pacientes com agravamento, os serviços do Samu serão utilizados para o transporte e os hospitais referenciados estarão à disposição.

A prefeitura também afirmou que determinou a implantação de um comitê gestor para o caso (formado por representantes de secretarias municipais e também da Secretaria Estadual da Saúde) e decretou estado de emergência municipal. Segundo ela, um informativo que contém instruções das medidas de controle dentro das residências também está sendo entregue aos alunos da rede municipal de ensino, esse mesmo panfleto seria entregue em locais de grande concentração de pessoas, como igrejas, entidades e as próprias unidades de saúde. Mas essa providência deveria ser tomada pela prefeitura desde sempre, visando a manutenção da saúde municipal, em momentos como este, essa divulgação deve ser ampliada em todos os meios de comunicação. Para aqueles que não adotam as medidas instruídas pela secretaria municipal de saúde, a prefeitura determinou a aplicação de multas que variam de R$ 180 a R$ 720, e no caso de imóveis fechados, sem a localização dos proprietários, a penalidade varia de R$ 1 mil a R$ 5 mil.

Os gastos da prefeitura com o combate da epidemia estão disponíveis no Diário Oficial da Prefeitura, observe:

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Segundo o HORA H, é evidente que a prefeitura municipal de Marília menciona o problema de forma a minimizar o transtorno específico da cidade transferindo-o para a região em manchetes e títulos de notícia, apesar deste ser um forte problema municipal. Além disso, podemos notar que a imprensa municipal manejou a situação para que toda a culpa caísse sobre a população, afirmando que 80% dos focos do mosquito transmissor se encontra em domicílios. Enquanto a culpa era transferida, nenhuma atitude estava sendo tomada, os pronto-atendimentos, postos de saúde e hospitais estavam repletos de vítimas da epidemia sem atendimento eficaz.

Hoje, ao que parece, medidas estão começando a ser tomadas e a mídia está exaltando todas essas “conquistas”. O que não podemos esquecer é que a saúde pública é responsabilidade da administração e que tudo o que está sendo exibido e alega-se ter feito não passa de obrigação e responsabilidade com o munícipe. Além disso, para este caso, se faz necessária a informação real e contato verdadeiro com a população. Não há como medir esforços na situação crítica em que se vive no município. Entretanto, apesar da cobrança por eficácia por parte da Secretaria da Saúde e Poder Público, é necessário que cada cidadão entenda a gravidade do problema e se disponha ao combate dessa doença através das medidas necessárias para ele, pois sabe-se que sem a contribuição da própria população em cuidados voltados aos seus quintais, bairro e arredores, não há combate que seja eficaz.

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