mar 2017 14

Para Milton Friedman, somente as crises produzem mudanças reais, ao transformarem o “politicamente impossível” em “politicamente inevitável”. Nesse sentido, um novo governante eleito para realizar mudanças em meio à crise deve assumir o cargo sabendo o que fazer, introduzindo imediatamente novas propostas. Deve ainda encaminhar mudanças irreversíveis, antes que a sociedade se recupere do choque e volte a ter preferência induzida pela oposição à “tirania do status quo”.

Esta “tirania” é caracterizada por um quadro no qual “As forças políticas temporariamente derrotadas reagrupam suas hostes e tendem a mobilizar todos os que foram prejudicados pelas [crises e] mudanças, enquanto os proponentes destas tendem a relaxar depois das primeiras vitórias”. Em suma, “se não foram feitas ontem, as mudanças não ocorrerão amanhã”, escancarando os limites do tão propalado novo governo e sua condenação a fazer mais do mesmo, ganhar e não levar, situação pior do que perder!

E só tem um jeito de evitar “a tirania do status quo”: pensar e agir de forma inovadora e diferente para moldar o futuro que queremos. Não é concebível flertar com o inimigo, pois ele já está fazendo oposição antes do novo governo iniciar. O prefeito eleito deve afastar-se das velhas forças políticas da cidade, a vanguarda do atraso, inclusive àquelas que perfilaram ao seu lado e os eleitores barraram nas urnas.

Do ponto de vista prático, é preciso reverter a crise orçamentária (com a redução de despesas inúteis), reorganizar e modernizar o aparato institucional da Prefeitura (Reforma Administrativa), implementar novos modelos de gestão no poder público local e valorizar o servidor público municipal. Para cumprir adequadamente esta tarefa faz-se necessário conectar a orientação política da administração pública local com o ethos do desenvolvimento econômico e social, da Transparência e da Sustentabilidade.

Nesta perspectiva, de imediato, é imprescindível realizar uma auditoria ampla nas contas da Prefeitura e punir os mal feitos; depois diminuir despesas de custeio, tais como locação, energia elétrica, água, telefone, escritório; em seguida, deve-se reestruturar a máquina administrativa da Prefeitura promovendo uma ampla fusão de secretarias que possuem interseções em suas atribuições, diminuindo assim os custos de manutenção de secretários e assessores com cargos comissionados; deve-se recuperar o salário dos servidores municipais, bem como dar-lhes oportunidades de aperfeiçoamento profissional para sua evolução em um verdadeiro plano de carreiras, sem arremedos de fim de mandato; é preciso adotar novos modelos de contrato com parcerias público-privadas; e, principalmente, implantar iniciativas de Controle Social e Advocacia de ideias e projetos de políticas públicas visando legar à sociedade de Marília maior transparência nos gastos públicos e nos processos licitatórios de compras governamentais.

Fora disto, só há um caminho: Ganhar e não levar. Ou seja, pior do que perder. Ocorreu com Dilma Roussef e Vinicius Camarinha. Ou é opção ser a #dilmademarilia2ª?

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