Pobres partidos

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A Constituição brasileira de 1988 exige a vinculação partidária como requisito
básico de elegibilidade, admitindo ser o partido político o único canal de acesso a
cargos eletivos, atribuindo-lhe, portanto, o monopólio da representação política no país.
Logo, o partido é responsável direto pelos seus candidatos. Cabe a ele peneirar entre os
seus filiados os melhores nomes, os mais capacitados para governar, bem como aqueles
com passado ilibado, sem histórico de corrupção que, efetivamente, sejam Ficha Limpa.
Só que a legislação eleitoral brasileira, derivada do nosso sistema político
formatado para dar vantagens comparativas e competitivas para as velhas raposas,
regula as eleições no país adotando uma fórmula que combina representação
proporcional e sistema de lista aberta. Ou seja, o eleitor vota em um deputado, sendo o
seu voto intransferível a outros (sistema de lista aberta). As cadeiras são distribuídas aos
partidos conforme o número de votos conquistados pelo conjunto de seus candidatos e,
logo após, em cada partido, de acordo com o número de votos de cada candidato
(proporcionalidade).
Pode-se facilmente observar que esse sistema incentiva o individualismo nas
campanhas, pois o prestígio e o poder de um candidato estão relacionados com a
capacidade de obter votos em grandes proporções. Para tanto ele precisa de muitos
recursos. Presos por essa armadilha, a maioria dos partidos políticos preferem dar
legendas aos candidatos bons de grana e, obviamente, voto. Deixando de lado os
requisitos ético, moral e honestidade. Permitindo assim que candidatos ficha suja
permaneçam na política brasileira. Como eles investem milhões nas eleições depois eles
têm que recuperar o “investimento”. Ou você acredita mesmo que eles fazem tudo isso
em benefício do povo? Pobres partidos, pobres de nós, o povo brasileiro!

Marcelo Fernandes

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